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puxe uma cadeira.

certa vez, num bate-papo por vídeo com outras bandas, um camarada ~ visivelmente incomodado ~ disparou, quase atravessando a tela:

“Vocês não podem falar de Jesus nas letras se não se assumem como gospel.”

a frase, mais que desabafo, era cobrança de protocolo. na cabeça dele, o Evangelho exigia rótulo, certificado, selo da indústria. pra falar de Deus, primeiro você precisa seguir o manual.

lembramos de João ~ o discípulo. (Mc 9:38-40 / Lc 9:49-50)

“Impede-o, porque ele não anda conosco.”

o homem expulsava demônios ~ mas não era do grupo. não tinha carteirinha. João não estava preocupado com o bem que estava sendo feito, mas com quem estava fazendo. era o Reino tratado como condomínio fechado: com portaria e senha.

é preciso saber da piscina, da margarina, da Carolina, da gasolina. ou seja: você, baby, precisa saber o que a gente sabe. andar com a gente. sentir como a gente sente. cantar como a gente canta.

só que, às vezes, o verdadeiro problema é achar que só o grupo oficial pode fazer parte da obra. “quem não é contra nós é por nós”, disse o Mestre.

 

percebe como o rótulo não é apenas uma palavra, mas uma forma de pertencimento? E, junto com o pertencimento, vêm os anseios de uma cena, o público, o mercado e, principalmente, uma série de expectativas sobre o que uma banda deve ser.

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não. não somos gospel. nada contra. só não somos.

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